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Estado de São Paulo anuncia relicitação após saída da Urbia dos parques

Publicado por Pedro Boeno em 11 de julho de 2026 às 15:23. Atualizado em 11 de julho de 2026 às 15:23.

O Governo de São Paulo abriu uma nova frente de desgaste na política de concessões ambientais após a Urbia decidir deixar a gestão dos parques estaduais Cantareira e Horto Florestal.

A saída da concessionária foi revelada em 2 de julho e levou o estado a publicar uma resolução para estudar uma eventual relicitação no âmbito do PPI-SP.

O caso ganhou peso porque envolve dois parques estratégicos da zona norte e da região metropolitana, além de expor dúvidas sobre a sustentabilidade financeira desse modelo.

Rompimento atinge concessão assinada em 2022

A Urbia administra os parques desde 2022, quando venceu a concessão de 30 anos firmada ainda na gestão João Doria.

Segundo relato publicado pela imprensa, a empresa avaliou que não conseguiu obter lucro com os serviços oferecidos nos parques.

O secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, afirmou que a concessionária já realizou os investimentos previstos no contrato, mas não viu vantagem econômica em permanecer.

Enquanto não houver definição, a empresa segue responsável pela operação, manutenção e prestação de serviços aos visitantes das duas áreas.

Na prática, o estado tenta evitar descontinuidade imediata no funcionamento, mas o rompimento abre um processo de revisão contratual com efeitos políticos e administrativos.

  • Parques afetados: Cantareira e Alberto Löfgren, o Horto Florestal
  • Prazo original: 30 anos de concessão
  • Situação atual: operação mantida até solução definitiva
Saída da Urbia impacta a administração dos parques em São Paulo
Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial

O que previa o contrato e onde surgiu o impasse

O contrato autorizava a exploração de serviços como alimentação, comércio, transporte interno e atividades de ecoturismo nas duas unidades.

Também havia previsão de cobrança de ingresso no Parque Cantareira, com tarifa que poderia chegar a R$ 60, além de metas de modernização estrutural.

Entre as exigências estavam ligação entre os parques, oferta de alimentação e redes Wi-Fi gratuitas em pontos como o Horto Florestal e o Núcleo Engordador.

De acordo com a cobertura do caso, o acordo previa investimento mínimo de R$ 45,5 milhões, dos quais R$ 31 milhões deveriam ser aplicados até 2028.

Com outras intervenções previstas, o investimento total estimado chegava a R$ 56 milhões, enquanto a receita projetada pelo governo superava R$ 882 milhões.

  • Outorga inicial: cerca de R$ 850 mil
  • Retorno esperado: a partir do sétimo ano
  • Serviços previstos: vigilância, limpeza, manejo e modernização

Resolução do estado abre caminho para relicitação

Após a decisão da empresa, o governo informou que uma resolução publicada no Diário Oficial prevê estudos para eventual relicitação ou repactuação contratual.

O próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo segue como canal formal de publicação dos atos administrativos que embasam essa transição.

Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos, ainda não existe definição final sobre novo modelo, novo edital ou simples renegociação.

Isso significa que o estado reconhece o problema, mas ainda trabalha em fase preliminar de diagnóstico regulatório e econômico.

Para o mercado, o episódio funciona como teste importante sobre o apetite privado por concessões de parques com forte função social e retorno financeiro incerto.

  1. Manter a operação atual para evitar interrupções
  2. Concluir estudos de viabilidade e modelagem
  3. Decidir entre relicitar, repactuar ou redesenhar a concessão

Pressão sobre o modelo cresce com investigações em outros parques

O caso não ocorre isoladamente. Em maio, o Ministério Público paulista abriu inquérito sobre a gestão dos parques Villa-Lobos e Cândido Portinari.

Segundo a investigação sobre possível exploração econômica excessiva e restrição de acesso ao público, a Arsesp e a concessionária desses espaços viraram alvo de apuração.

O foco do inquérito é verificar se a realização frequente de eventos privados compromete a finalidade pública dos parques urbanos.

Embora sejam contratos diferentes, a investigação amplia a pressão política sobre a estratégia estadual de conceder áreas verdes à iniciativa privada.

O ponto sensível é equilibrar receita, conservação ambiental, serviços ao visitante e acesso gratuito, sem descaracterizar o uso coletivo desses espaços.

Impacto político e próximos passos do governo paulista

Para a gestão Tarcísio de Freitas, a saída da Urbia cria um problema concreto num setor usado como vitrine de parcerias com o capital privado.

O desafio agora será provar que o episódio é pontual, e não sinal de fragilidade estrutural na modelagem de concessões ambientais em São Paulo.

Se optar por nova licitação, o governo terá de recalibrar premissas de demanda, receitas acessórias e exigências de investimento.

Se escolher repactuar, precisará justificar por que o contrato original não se sustentou da forma planejada.

Nos dois cenários, a discussão deve ultrapassar a questão empresarial e entrar no debate sobre qual parque público o estado quer oferecer em 2026.

Dúvidas Sobre a Saída da Urbia dos Parques Cantareira e Horto Florestal

A decisão da concessionária mexe com dois parques relevantes do Estado de São Paulo e levanta dúvidas sobre concessão, acesso público e próximos passos do governo. As respostas abaixo ajudam a entender o que muda agora e o que ainda depende de definição oficial.

A Urbia já deixou os parques Cantareira e Horto Florestal?

Não. A empresa informou que continua responsável pela operação e pelos serviços até que o governo paulista adote uma solução definitiva. Ou seja, a saída foi anunciada, mas a transição ainda está em curso.

O governo de SP vai fazer uma nova licitação?

Ainda não há decisão final. A resolução publicada pelo estado autorizou estudos para avaliar relicitação ou repactuação contratual. O formato definitivo dependerá da análise econômica e regulatória do caso.

Por que esse caso é importante para São Paulo?

Porque ele testa o modelo de concessão de parques públicos no estado. Quando uma concessionária deixa um contrato de 30 anos por falta de rentabilidade, o governo precisa revisar premissas de investimento, receita e acesso social.

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Pedro Boeno

Fundador e Editor-Chefe do portal 24h SP, Pedro Boeno é estrategista digital especializado em SEO, GEO e arquitetura de mídia hiperlocal. Sob sua liderança e governança editorial, coordena uma rede descentralizada de 30 correspondentes locais cobrindo o estado de São Paulo de ponta a ponta. Pioneiro na implementação do Jornalismo Cyborg, une tecnologia de ponta à sensibilidade humana para entregar notícias rápidas, apuradas e independentes a milhões de paulistas 24 horas por dia.

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